Nesse mar tem rio



Quando você tem algo na sua cabeça, é melhor escrever, se não aquilo vira um tormento, uma nuvem que permanece junto com todos os seus outros pensamentos e te cansa de um jeito, até que você finalmente dê vida ao seu desejo. Esse blog vem me perseguindo há muito tempo. Tanto que eu comecei a escrever em agosto e tentei fazer um calendário de postagens com sugestão de coisas para escrever durante várias semanas, mas eu não tive a disciplina para botar em prática.

E não me engano, não acho que vou ter muito agora não, mas é que se eu não escrever, eu não existo, assim como se eu não tiver ballet, dança, eu também não existo. Portanto, para realmente escrever sobre figurino de dança e espetáculos, eu precisava dessa segunda conclusão da frase anterior. Passei a pandemia toda falando pra mim que eu conseguia seguir em frente sem ballet, que era só apreciadora, meus dias de professora e produtora estavam para trás, mas olhe só: no primeiro curso bacana de figurino que eu vi, eu pulei dentro. E fui reconstruindo na minha memória essa história de trás pra frente. A última coisa que eu fiz no ballet foi produzir: figurino, adereços, marketing, ingressos, fornecedores, dinheiro. Um pouco antes eu coreografrei e dei aula - coisas que eu nunca tinha pensado quando era só bailarina. Hoje eu trabalho com estampas.

Este final de ano, com os espetáculos presenciais voltando - principalmente em Recife - mexeram comigo de um jeito muito forte. Primeiro porque eu queria estar na plateia, depois na verdade, eu queria ter bordado uns tutus, mas muito mais profundo que isso, queria estar de volta com a minha turma, dançando, fazendo brincadeira com as crianças para elas prestarem atenção no espetáculo,  indo resolver coisa no centro, reclamando do cansaço, tirando fotos sem parar no camarim e depois indo jantar num lugar bem legal, de cílios postiços e um sorriso enorme no rosto. 

Esse post então não é sobre uma análise de figurino, mas uma análise de como eu precisava sentir certas coisas para realmente fazer as outras coisas funcionarem (confuso?). A conclusão é: não dá pra viver sem ser inundada por ballet todos os dias, todo o tempo. Eu até achei a minha sapatilha de ponta aqui em casa. E, enquanto eu não posso voltar a fazer aula por causa do período do ano, vou bebendo a água do ballet de outras formas. E uma outra forma, é claro, é pelo figurino, design da cena. Então para não negar mais o inegável, dá próxima eu já volto falando sobre figurino de ballet :) 

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