O figurino é um mundo

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 Olá pessoas! Feliz 2022! Como primeiro post desse ano, eu pensei em não falar logo de análises de ballet, mas de figurino propriamente dito porque eu finalizei um curso maravilhoso esse finalzinho de ano de 2021 sobre Figurino e assistência.

Esse curso se chama Figurino F*da, foi ofertado pela Farage.Inc sob a coordenação de uma figurinista recifense, Maria Barbalho. E realmente o curso é f***!! Quando eu vi os primeiros anúncios do curso, eu só faltei cair pra trás porque era exatamente o que eu achava que faltava num grande patchwork de habilidades que eu julgava serem importantes para finalmente ter meu ateliê de figurino e tal. Descobri que algumas ideias que eu tinham eram verdade, outras coisas eu não tinha a menor absoluta noção e algumas outras eu só tinha pensado superficialmente porque o buraco é muito mais em baixo!

O curso se concentrou numa produção cinematográfica, mas ele detalhou tão bem o processo e depois trouxe tantos outros professores com diversas bagagens que eu posso transportar o que foi dito sobre cinema e trazer para as artes cênicas - a dança. Mas claro, todo tipo de produção tem suas especificidade e o cinema tem milhares de pontos importantes. Só que é o que a Maria repetiu muito durante as monitorias: quem produz figurino primeiro levanta um prédio e é capaz de produzir qualquer outra coisa. Porque sim, além de toda a parte cheirosa dos tecidos, tem uma mega construção de raciocínio por trás, com tarefas de organização, burocracia, prestação de contas e mil tabelas. E essa riqueza foi o que deixou realmente o curso incrível.

Meu foco é realmente dança e teatro em geral, mas o curso me despertou uma vontade maior de apreciar filmes brasileiros e isso está sendo uma delícia, descobrir ainda mais a riqueza da gente. Até mesmo novelas e séries. Porque, de verdade, tem muita arte sendo feita aqui. Não somos Hollywood, mas temos gente muito competente e isso é outra coisa que o curso me apresentou. 

Aqui são três coisas que eu aprendi no curso que eu vou levar pra vida do ballet:

1 - Tudo tem que estar documentado, pero no mucho: quando eu estava pesquisando para o meu TCC, eu percebi que em algumas companhias existiam a bíblia do ballet, com todas as informações necessárias para se construir tal figurino. E que felicidade em saber que isso existe no cinema também - e se chama Mapa do figurino. Só que antes de ele existir (aí tá a parte que eu não fazia idéia), se faz várias outras análises tendo base o roteiro. Mapa do figurino só vai existir depois das provas de roupa. Mas só que tudo são guias e bases, na verdade qualquer coisa pode acontecer e se deve ter um boa flexibilidade para atender desejos, frustrações, combinações que não deram certo;

2 - O figurino é feito de várias mãos: esse curso é focado em assistência de figurino porque é impossível alguém assinar um figurino de cinema logo de cara. E isso não quer dizer que ser assistente é ser menos importante. Aprendi com a Maria que toda pessoa que faz parte da equipe é primordial e isso é muito legal porque é um trabalho gigantesco feito por poucas pessoas e então você tem oportunidade de fazer uma diversidade de tarefas e sempre aprender pra ir ganhando mais bagagem. E tem mais a equipe pode ser a figurinista mais duas assistentes, mas ainda tem a camareira, o motorista, o envelhecista, o aderecista, a bordadeira, o camiseiro e por aí vai. Então a parceria é primordial;

3 - Gostar de figurino é gostar de gente: eu escutei isso direto. Fazer figurino não é só achar legal combinar roupas e de estilo - até porque isso é gosto pessoal. Mas fazer figurino é dar uma história pra um personagem que tem emoções, desejos, traumas e isso precisa ser comunicado através da roupa porque isso é o cotidiano na vida real também. Então é preciso observar muito, desconstruir o olha, decolonizar o pensamento, para a gente se aproximar cada vez mais do humano e conseguir que as roupas tenham verdade e ajudem a narrativa. Sabe quando a gente vê um filme/série e tem até furinho na camiseta que o personagem usou pra dormir? Isso é fruto da observação, de entender a dinâmica do vestir e da vontade de imprimir um verossimilhança. Eu achei esse fato de gostar de gente um fato marcante. Depois disso eu passei a olhar mais as pessoas na rua pra ver como elas se vestem, mas de coração aberto, pra entender essa comunicação sutil e profunda ao mesmo tempo das roupas e das nossas emoções. Eu sei que a Fada Açucarada usa um tutu belíssimo, e isso me instiga a pesquisar sobre as verdades no figurino da dança.

Eu ainda tenho baldes e baldes para falar desse curso, mas esse gostinho fica aí pra gente poder desenrolar mais ao longo do ano. E eu só posso acabar de um jeito: figurino é um mundo gigante e muito F***!!!

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